Raul
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Trem da Vida

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Publicado por Júlio Cesar

Trem da vida. Trem voador.

A vida vai se tomando forma novamente. Aos poucos manifestações positivas vão ocorrendo.

Os monstros dos medos estão lá, presentes e atuantes, fazendo parte de nossas vidas. Acho que sempre o farão. Será que é para que vençamos as etapas e nos sintamos vivos com a sensação de avanço, de vitória? Ou será um controle físico e emocional para um controle social que carregamos conosco por nossa história?

A viagem se inicia.
Rumo a cidade de Morretes estamos indo de trem. Vagão 11.
Bem devagar e bem contemplativo no início, podendo conhecer um pouco mais da cidade de Curitiba.
A velocidade aumenta ao sair da zona urbana, mas nada afeta a possibilidade de vislumbrarmos todo cenário magnífico que o passeio nos oferece. Nós, pois estamos eu e o Raul, meu filho de 12.

Cercado de muita natureza, podemos também ouvir muitas histórias ao longo de todo trajeto, histórias estas muito bem contadas pela guia do trem, Vilma. São histórias que nos levam às questões culturais, sociais e econômicas da época, permeando o passado da linha férrea, bem como a história da Revolução Federalista.

A ferrovia original, no plano dela, nos levaria do Uruguai até o litoral do Paraná, mas foi reduzida por questões da outra guerra, a Guerra da Tríplice Aliança. Tal ferrovia, conta na história que não houve uso de mão de obra escrava, A obra foi realizada com trabalhadores livres, muitos deles imigrantes, e é considerada um marco por ter sido projetada por engenheiros negros, os irmãos Rebouças. A cidade de Curitiba e região tinha como base econômica a erva mate, a mesma que hoje tem como um dos principais destinos o rio grande do sul para o consumo do chimarrão, além do uso do tererê em outras regiões.

Encontramos um casal de Brasília, a qual pudemos trocar algumas ideias. Também encontramos e trocamos bastante ideias com um jovem alemão, que mora no Brasil e estuda por aqui.

Com o alemão pudemos conversar também sobre temas mais sérios e perguntei ao jovem sobre como ele enxerga o que foi o passado da Alemanha, principalmente sobre os n. Foi interessante e aliviante ouvir que é compulsório o estudo sobre o holocausto para os alunos de ensino médio, para aprenderem sobre a história, sobre como os processos de persuação foram ocorrendo, em qual momento economico se deu e quais foram as narrativas e assim garantir que os jovens possam evitar algo semelhante na história da Alemanhã. Uma frase que me chamou a atenção foi “É possível que hajam mais n fora da Alemanhã do que dentro”, pois com a conscientização é muito difícil seguirem um caminho igual.

O passeio finaliza na cidade de Antonina, pequena e charmosa cidade, que leva esse nome foi dado à cidade em homenagem ao Príncipe da Beira, Dom Antônio. No teatro, aliás, no Theatro já passaram Carmem Miranda e muitos outros grandes artistas.

Começamos o retorno, voltando de Van pela magnífica estrada da Graciosa, nome dado à cidade de Paranavaí que antigamente carregava esse nome de Graciosa, dado pelos Portugues, pela semelhança com uma das ilhas que por lá eles possuem. A estrada foi construída para chegar até a cidade levando o mesmo nome. O nome da cidade mudou, mas a estrada permaneceu com o mesmo nome, que lhe é digno, diga-se de passagem.

O roteiro vai chegando ao fim, com o Raul dormindo e nem vendo as maravilhas da estrada e o balançar da Van por conta das pedras.
Ao acordar, conto à ele que ficamos em meio a floresta, cercados de borboletas brilhantes de variadas cores e que queriam muito vê-lo, o que não foi possível pois estava dormindo.

Rimos muito!
FIM!

System of A Down, banda que o Raul adora.

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