two hands
Categorias:

Carta à Terapeuta

Imagem do avatar de
Publicado por Júlio Cesar

Chego no prédio, ali no Itaim Bibi em São Paulo. Cheio de dúvidas, intrigas, angústias, medos… Mas venço as etapas de agendar e de efetivamente ir.

É noite, recém saído do trabalho, com um misto de pensamentos do dia que vivi com o que está por vir. E, não só pelo que está por vir agora, mas pelo que virá posterior ao que vou vivenciar.

Elevador demora, parece uma eternidade. É como se demorasse de propósito, pra testar a fé no desejo efetivo de ir.

Na antesala, um radinho toca uma rádio qualquer com músicas nacionais a qual não me recordo quais eram -pra quem gosta de música e associa muitas coisas à música, a tensão era grande pra não lembrar.

O tempo passa e a espera parece infinita. E logo no dia, naquele horário que eu tinha a agenda, a paciente anterior sai chorando, bota mais medo na mochila…

A porta se abre, com um sorriso no rosto sou recebido, se me lembro bem, com um abraço acolhedor também. Uma sala com luz baixa, aconchegante mas ao mesmo tempo convidativa pra um aprofundamento quase que de imediato. Ainda que este imediato tenha demorado vários dias, risos daqueles de nervoso.

As sessões vão acontecendo, de início travado, quase monossílabico. Muitos dilemas internos, muita coisa mal resolvida ou sequer olhada. Várias embaixo do tapete sendo tiradas aos poucos.

E a situação se agrava, se não bastasse tudo o que havia, toda mochila cheia, ainda surgiram dilemas sociais. Como um ser humano, morador da periferia, que se veste mal, poderia ser atendido no Itaim, por uma terapeuta vestida maravilhosamente bem?

As sessões prosseguem, semana a semana, fio a fio vai sendo tecido, com muita perspicácia da analista. Um trabalho lindo, que permite me abrir totalmente, sem medo da vulnerabilidade nas sessões que hoje faço.

Essa música é muito delicada, cheia de simbologia. A letra de Todo Homem se conecta na ideia de que ao longo da vida o ser humano busca cuidado, aconchego e compreensão, com a representação na figura simbólica e afetiva da mãe (claro que isso é assunto pra mais terapia 😺)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *